Tostada Review – Desventuras em série (Netflix)

A Series Of Unfortunate Events

O tema de abertura chiclete interpretado por Neil Patrick Harris já passa o recado sem rodeios para o que o espectador está prestes a encarar. “Look away”, ou ‘não olhe para isso’, em português, dá o tom e prenuncia os terríveis acontecimentos que estão para acontecer.

A Series of Unfortunate Events, ou simplesmente, Desventuras em Série gira em torno de três irmãos e todo um mistério de organizações e conspirações que envolvem os pais. Conheça os irmãos Baudelaire: a mais velha Violet (14 anos); a apenas um laço de prender o cabelo para uma brilhante invenção; o inteligentíssimo e leitor voraz Klaus (12 anos); e a pequena bebê Sunny, capaz de morder o que aparecer pela frente. 

A nova aposta do Netflix traz em oito episódios os primeiros quatro livros de uma obra que marcou muita adolescência por aí com cada volume retratado em dois capítulos, o que dá muita liberdade para os roteiristas detalharem e esmiuçarem cada detalhe contido nos livros e explorarem ainda mais a vida dos órfãos.

O Mau Começo, A Sala dos Répteis, O Lago das Sanguessugas e Serraria Baixo-Astral ganham vida nesta primeira temporada, e já é certo que a série tem vida longa. Isso porque o autor dos livros Lemony Snicket (pseudônimo de Daniel Handler) confirmou que trabalha com a ideia de mais duas levas de novos episódios. A próxima com cinco volumes e uma terceira com o desfecho de todos os insucessos e azares dos irmãos.

E a líder do streaming acerta em cheio ao trazer das páginas para a tela o ambiente sombrio, mas ao mesmo tempo hilário, com estética particular e atuações de fazer com que você se importe com os Baudelaire já nos primeiros minutos.

A história segue o livro. A descoberta de que os pais morreram em um incêndio enquanto os três faziam apenas mais um passeio pela praia é o primeiro da sequência de infortúnios que os Baudelaire vão enfrentar ao longo dos oito episódios desta temporada. Sem pais, eles precisam de um tutor, e logo são encaminhados para serem cuidados pelo vilanesco Conde Olaf.

Neil Patrick Harris é o responsável por dar vida ao excêntrico ator falido e que tem como único objetivo de vida enriquecer ao colocar as mãos na fortuna dos irmãos deixada pelos pais. O problema é que Violet só pode ter acesso a todo este dinheiro quando tiver 18 anos completos, o que desencarreta nas mais inventivas maneiras de passar a perna nos órfãos, seja por disfarces esdrúxulos ou maldades sórdidas, tudo bem no tom da série, com a junção entre os elementos de estranheza, vilania e incredulidade.

A sequência de acontecimentos une o bizarro com o surreal, mas a atmosfera e ambiente criados no universo que a série se ambienta torna tudo crível. Crível pela mitologia dada logo de cara desde o começo da série e que torna tudo aceitável e faz com que a imersão seja completa. Desde os cenários, as roupas, iluminação e cenários em que os Baudelaire vivem as próprias desventuras. Tudo está ali no lugar correto e por um motivo. Os excessos são excessos dentro apenas da trama e cada peça se encaixa perfeitamente na construção deste novo mundo.

Nem precisa dizer que Desventuras em Série é material obrigatório para quem viveu a experiência de ler os 13 livros. A versão da Netflix acerta em cheio nesta nova adaptação do universo Baudelaire com universo magicalmente bem construído e uma série que logo ao primeiro take já mostra que tem a própria cara. E para quem ainda não é órfão desta longa; porém saborosa; jornada, vale demais cair de cabeça e dar os primeiros passos junto com os Baudelaire.

Felizmente, ainda há muito chão para percorrer.

Por: Filipe Nunnes

 

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